Talarico
Você está sendo talaricado !
Olá, amigos e amigas, como estão? Peço desculpas pelo sumiço. Acontece que fiquei um tanto ocupado nas últimas semanas, gastando todo o parco tempo que me restava dedicado a um hobbie, que gostaria de compsrtilhar com vocês: me tornei um colecionador de babaquices.
Colecionar babaquices não significa colocá-las em prática, necessariamente, ou tão pouco julgá-las. Não, não. Colecionador babaquices é o mesmo que ser um ornitólogo, em certo sentido. É ir ao campo, ajustar as lentes, e prestar atenção, ficando paradinho. Quando menos se espera surge, esplêndida, colorida e maravilhosa, uma babaquice!
Ou seje: indifere ser ou estar, bastando observar para colecionar babaquices. Logo, colecionar babaquices é também uma forma de meditação (ficando, então, a cargo do leitor encarar a ida ao campo com literalidade ou atividade religiosa).
Enfim, digo isso pois na última terça-feira uma notícia me tirou tanto do prumo ao ponto de me lembrar de um dos tipos mais fenomenais de babaquice, que é a talaricagem.
Como certa vez disse um certo babaca francês: "quem ainda não foi talarico, certamente desejou ser". Talvez seja verdade, talvez seja mentira, mas esta aí um honesto sincericídio. E, como é bem sábido, o sincericídio está na essência da talaricagem, já que o talarico, ao mesmo tempo que é incapaz de enganar o próprio desejo, costuma assassinar sua relação com quem foi talaricado.
Claro, ninguém tem culpa por seguir os rumos em que sopram os ventos, só que, cá entre nós, existe uma grande diferença em ser empurrado pelos ares, e em se aproveitar desse empuxo para planar como os irmãos Wright (e ainda falar por aí que inventou a aviação).
Falar de ventos talvez não seja o ideal para falar do desejo de talaricar, já que existe toda uma fauna a ser explorada dos tipos de talaricos.
Há os do tipo toupeira que, coitados, são tão patéticos que geram certa piedade pela culpa cristã que carregam. Tentados pelo desejo, comem do fruto, mas depois não sabem onde enfiar a cara, de tanta vergonha. Normalmente são encontrados enfurnados dentro deles mesmo, remoendo o suposto pecado, ao invés de tentarem sair do buraco raso que cavaram para si.
Existe também o talarico do tipo jaguatirica, que é um pouco mais divertido. Este tipo costuma possuir certa ideia grandiloquente de si, sendo constantemente o ego inflado a justificativa para o ato de talaricar. Caso o leitor se depare certo dia com um talarico do tipo jaguatirica, faça o favor de lhe dar corda. A jaguatirica, em toda sua grandeza, irá se sentir uma onça-pintada grande e poderosa quanto mais seu ego inflar! É realmente engraçado de ver quem mia achando que ruge. No mais, é só tomar cuidado pra não tomar uma mordida de bobeira (por mais que a natureza desses bichanos seja a da fuga, quando confrontados).
Entre os tipos desprezivéis, estão os/as hienas. Sua natureza é a de busca por carniça e sua vida é em bando. Se desgrudar de um desses se torna difícil, já que o divertimento das hienas é viver à custa dos outros. Costumam ser encontrados entre certas galeras carpe dien das ideias, aproveitando bebidas ruins, arte pior ainda, e afirmando que isso é a vida boa.
Pois bem. Eis que na terça estava aproveitando o feriado para contemplar minhas babaquices, quando, do nada, percebi que a fauna de talaricos ganhou mais um nobre integrante, chamado Rogério Caiado.
O atual governador de Goiás e presidenciável pelo PSD, mostrou-se disposto a talaricar todo o povo brasileiro para manter seu affair com os EUA, vendendo nossas terras raras. Todos nós sendo talaricados em pleno feriado. Tendo que vê-lo articular sua subserviência como altivez, bradando que ser capaixo é ser soberano. Complicado, pra dizer o minímo.
Agora, nós, os otários, temos que responder. Deixemos claro, de uma vez, que o Brasil é com S, de nosso. Senão essa fauna de Caiados seguirá talaricando a todos nós, nessa nossa flora de explorados.

